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22 de fev. de 2026

Risco de colisão com asteroide provocando desastre civilizacional tem sido subestimado

Por Hindemburg Melão Jr.

Uma das fórmulas usadas pela NASA está errada e isso tem relação direta com o risco de colisão com asteroides.

 

Quase sempre que se faz alardes sobre esse tipo de desastre, não passa de bobagem sensacionalista. É assim em praticamente todos os canais que se dizem de divulgação científica e pior ainda nas demais mídias. A própria NASA costuma exagerar sobre isso. Mas nesse caso o assunto é sério e preocupante.

 

Quem viveu antes dos anos 1990 deve se lembrar da tensão constante que existia entre EUA e URSS, as duas maiores potências militares e tecnológicas da época, cada uma das quais com poder para destruir nosso planeta mais de 15.000 vezes. Bastava apertar um botão. Quem viveu depois, deve ter tomado conhecimento através das conversas com pais e avós.

 

Heróis como Stanislav Petrov praticamente salvaram o mundo da destruição, e alguns deles foram punidos por isso.

 

Com a falência da URSS, em 1991, essa tensão praticamente desapareceu. Surgiram outros conflitos nas décadas seguintes, mas nada que se compare ao clima daquela época.

 

O risco de uma guerra mundial não é totalmente descartado, mas é muito menor do que já foi algumas décadas atrás. Porém existem outros riscos de extinção que não dependem de erros de julgamento humano.

 

Entre os eventos naturais que podem provocar a destruição da humanidade, um dos mais preocupantes está relacionado à colisão com asteroides.

 

Desde que foi descoberto Eros, sabe-se que alguns objetos maiores do que montanhas cruzam periodicamente a órbita da Terra, podendo chegar eventualmente muito mais perto do que a Lua, e muitos chegam a colidir com nosso planeta, produzindo efeitos devastadores, que dependem do tamanho do objeto, da velocidade relativa, do ângulo de fase, da composição do objeto, entre outros fatores.

 

A extinção do Jurássico e o evento de Tunguska são dois casos famosos, mas pouca gente sabe que a Terra é bombardeada anualmente por mais de 17.000 toneladas de meteoritos de diferentes tamanhos. Essas colisões são “normais”. A raridade está nas grandes colisões.

 

A determinação correta dos riscos envolvidos é de capital importância para panejamento de defesa e ação.

 

Até recentemente, acreditava-se que mais de 96% de todos os objetos que cruzam a órbita da Terra (NEOs) com mais de 1 km de diâmetro já haviam sido catalogados. Conhecendo seus parâmetros orbitais, pode-se prever colisões e desviar a trajetória do objeto com antecedência suficiente. Porém, um estudo recente que realizei há poucos dias mostra que há indícios de uma grave subestimativa no número real de NEOs com tamanho acima de 1 km. Na verdade, conhecemos as órbitas de apenas 4% deles, não 96% como se acreditava.

 

Isso tem duas implicações importantes: o risco de colisão com esses objetos é 24 vezes maior do que se pensava, e nosso conhecimento para prevenção cobre somente 4% dos objetos desse tamanho, não 96%.

 

A revisão nesses números se deve a um novo método estatístico que desenvolvi, muito mais barato e mais rápido do que os métodos convencionais baseados em contagem. O novo método permite que qualquer pessoa com conhecimento de programação e uma câmera fotográfica reproduza o experimento e confira por si mesma os resultados.

 

Um dos motivos dessa subestimativa é que a fórmula recomendada pela NASA em https://cneos.jpl.nasa.gov/tools/ast_size_est.html está errada. Em meu artigo, explico o problema com a fórmula indicada pela NASA e como o cálculo correto deveria ser.

 

Veja mais detalhes nesse artigo:

 

https://papers.ssrn.com/abstract=6189079


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