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SIGMA TEST

 

O Sigma Test pretende ser inovador em muitos aspectos, assumindo como objetivo principal construir problemas de dificuldade intrinsecamente elevada, não recorrendo abusivamente a questões que exijam conhecimento matemático específico, não se prendendo aos modelos tradicionais de testes com séries de figuras ou números, não forjando artificialmente um elevado grau de dificuldade por envolver problemas de análise combinatória que exijam a contagem de grande número de possibilidades, utilizando exclusivamente questões inéditas nos níveis mais elevados de dificuldade.

Além disso, o Sigma Test procura distribuir as questões ao longo de um amplo espectro de níveis de dificuldade, tentando cobrir o intervalo de 100 a 200 rIQ (equivalente a cerca de 100 a 235 pIQ). É pouco provável que esse objetivo tenha sido alcançado, assim como não é alcançado na totalidade dos outros testes de inteligência com tetos nominais acima de 180, 190 e até mesmo acima de 200, mas cujos tetos reais ficam perto de 165 a 170.

A contagem ponderada, em função da dificuldade, também contribui para que os resultados sejam mais acurados e mais precisos, evitando que descuidos prejudiquem injustamente o escore do testee. A aceitação de mais de uma resposta como válida também representa um importante avanço nesse sentido. A maneira como são determinados os pesos em função da dificuldade e a fração de ponto para respostas incompletas ou sub-ótimas é descrita no artigo “Norma de 2003 do Sigma Test”. Resumidamente, esses pesos são determinados pelo inverso do número de acertadores e de pessoas que deram as respostas incompletas/sub-ótimas ou equivalentes.

Além de variar no grau de dificuldade, as questões também variam na natureza do pensamento necessário para encontrar a solução. A maioria das questões 1 até 11 pode ser resolvida com pensamento convergente, enquanto as questões 12 até 20 envolvem pensamento convergente num estágio mais elevado de complexidade e também um pouco de pensamento divergente em estágio elementar. As questões 21 até 28 vão aumentando progressivamente a quantidade de pensamento divergente, até que nas questões 29 em diante é exigido um poderoso pensamento convergente aliado a um poderoso pensamento divergente. Somente pessoas com notável raciocínio lógico e grande inventividade podem alcançar escores elevados nesse teste.

Pelas normas preliminares, podemos estimar que uma pessoa com inteligência normal acertaria 4 ou 5 questões. Um acadêmico de nível médio com título de Bacharel em uma disciplina arbitrária, acertaria 9 ou 10 questões. Um acadêmico com Mestrado acertaria 11 ou 12. Um Doutor acertaria 13 ou 14 e poderia tornar-se assinante em Sigma III. Os membros da Mensa, em média, acertariam 16 ou 17 questões e estariam qualificados para ingressar como sócios plenos em Sigma Society. Um Doutor de nível médio na área de Exatas, acertaria 18 ou 19. Se os trabalhos da Dra. Catherine Cox fossem acurados e os QIs estimados por ela, Cattell e Merrill fossem representativos da capacidade intelectual das pessoas avalias na mesma escala utilizada nos high range IQ tests, então o número de acertos que algumas personalidades históricas teriam no Sigma Test seria conforme segue:

 
Homens de notável talento:

Napoleão ou George Washington acertariam cerca de 20

Rousseau ou Lincoln acertariam 23 (e estariam qualificados para ingressar como membros em Sigma III)


Gênios (pela classificação de Wechsler):

Swift, Rembrandt, La Fontaine, Cervantes ou Balzac acertariam 25

Molière, Lamartine, Benjamin Franklin ou Copérnico acertariam 26 ou 27

Beethoven, Darwin, Montaigne, Mendelssohn, Watt ou Diderot acertariam 28 ou 29 (Sigma IV)

Luthero, Lavoisier, Raphael ou Alexandre Dumas acertariam 30

 
Grandes Gênios:

Kant, Kepler ou Spinoza acertariam 31 ou 32

Descartes, Michelangelo, Victor Hugo, Dickens, Musset ou Byron acertariam 33 (e teriam possibilidades de ingressar em Sigma V)

Newton, Voltaire ou Galileu acertariam 34

 
Gênios Universais:

Leonardo Da Vinci, Pascal ou Leibniz teriam possibilidades de acertar 35. (Nota: Leonardo teve o QI estimado por Cox em 180, mas seguramente foi maior que isso) 

É importante enfatizar que as estimativas de QI feitas pela equipe de Catherine Cox são controversas e algumas são nitidamente incorretas. O QI de Newton, por exemplo, na primeira estimativa de Cox foi 135, depois corrigido para 190, e ainda é uma subestimativa. O QI de Copérnico foi inicialmente estimado 105, nitidamente incorreto, depois corrigido para 165, que ainda é muito distante do correto.

Veja estimativas mais acuradas e mais bem fundamentadas em nosso artigo "As 1000 pessoas com QIs mais altos da História".

Compreenda os conceitos de potential-IQ e rarity-IQ

Um pouco mais sobre o Sigma Test:

https://web.archive.org/web/20060106235423/http://www.sigmasociety.com/sigma_teste/sigma_sigma_teste.asp

 

Esclarecendo algumas dúvidas

1. O Sigma Test é um teste de QI?


Não. É teste de inteligência, mas não pode ser considerado um “teste de QI”. Para ser classificado como “teste de QI” é necessário atender a uma lista detalhes burocráticos, alguns dos quais são bons e úteis, outros são nocivos, outros são desnecessários ou irrelevantes. Por exemplo: um teste de QI só pode ser aplicado por um psicólogo, com supervisão, em condições controladas, com limite de tempo. Isso gera uma falsa ideia de confiabilidade e acurácia, mas na verdade não é bem assim. Muitos dos principais testes de QI podem ser comprados por médicos, que podem estudar as questões e fraudar os resultados, e isso é muito mais frequente do que se imagina. Outro problema é que a imposição de um limite de tempo traz mais desvantagens do que vantagens (veja em nosso FAQ e na seção de Artigos). Por outro lado, há numerosos detalhes importantes que são respeitados no processo de criação e padronização de um teste de QI, que muitas vezes são negligenciados em outros testes. Para conhecer melhor esses detalhes, é recomendável a leitura do livro de Anne Anastasi "Testagem Psicológica" e o livro de Luis Pasquali "Psicometria". São livros básicos, mas bastante completos, que proporcionam uma visão panorâmica sobre o tema. O livro de Anastasi dá uma abordagem conceitual muito boa, mas sem considerar aspectos estatísticos, enquanto o livro do Pasquali inclui aspectos conceituais e estatísticos, sendo um dos mais completos. Pasquali foi Professor Emérito na Universidade de Brasília, Professor Convidado na Universidade de Michigan e um dos maiores especialistas do Brasil nessa área. Em 2004, quando enviei a ele cerca de 220 sugestões de revisão de pequenos erros e inexatidões em seu livro, ele recebeu as críticas com muita humildade, elegância e sensatez, comentou que já havia notado alguns dos erros que apontei e pretendia corrigi-los na próxima edição, mostrou-se muito receptivo às críticas e disposto a revisá-las com presteza, o que é uma característica rara no meio acadêmico brasileiro, onde o ego costuma ser centenas ou milhafres de vezes maior que a competência. Em 1995, por exemplo, quando apontei cerca de 260 erros no livro de um respeitado professor MS6 de Física na USP, ele simplesmente ignorou e continuou repetindo a maioria dos erros nas edições seguintes. 

Embora o Sigma Test não seja um “teste de QI”, os resultados que se obtém no Sigma Test se correlacionam fortemente com alguns dos principais testes de QI no intervalo de 90 a 135, tão bem quanto a correlação entre dois dos melhores testes de QI comparados entre si, portanto, sob o ponto de vista matemático, o Sigma Test é tão bom quanto os melhores testes de QI para avaliação do nível intelectual no intervalo entre 90 e 135. Além disso, acima de 135 os testes tradicionais de QI começam a falhar, enquanto o Sigma Test continua aferindo corretamente os níveis intelectuais até acima de 170, superando os melhores testes de QI nesse quesito e equiparando-se aos melhores home tests. Também há alguns indícios de que o Sigma Test pode medir corretamente QIs acima de 180 e talvez até acima de 190, o que o torna diferenciado inclusive entre os principais home tests. 

Outro diferencial do Sigma Test em relação aos testes de QI tradicionais é que a ausência de um limite de tempo elimina algumas distorções provocadas por condições desfavoráveis que poderiam prejudicar os resultados nos testes aplicados em clínica, em que a pessoa pode estar ansiosa, cansada, sonolenta etc., com impacto negativo sobre o escore. A eliminação do limite de tempo soluciona esse problema, pois a pessoa pode resolver quantas questões quiser em determinado dia, interromper, prosseguir no outro dia, revisar sem pressa as anteriores etc. O que determinará o escore final será a real capacidade da pessoa de resolver os problemas, não a escassez de tempo nem os descuidos. Esse é um diferencial importante, porque desatenção e pegadinhas não são atributos tão importantes quanto a capacidade de compreensão. 

Por outro lado, como os testes são realizados sem supervisão, existe a possibilidade de que a pessoa não respeite as regras estabelecidas para que seu escore seja válido, isto é, a pessoa pode solicitar a ajuda de terceiros. Isso invalida os resultados.

Portanto, os escores do Sigma Test são muito semelhantes aos resultados dos melhores testes de QI tradicionais. Quando esses resultados divergem para QIs acima de 130, o Sigma Teste geralmente produz resultados mais próximos da verdadeira capacidade intelectual da pessoa. Quando os resultados divergem para QIs abaixo de 110, geralmente os testes de QI convencionais têm maior probabilidade de produzir valores corretos. No intervalo entre 110 e 130, algumas vezes os resultados no Sigma Test estão mais próximos do correto, outras vezes mais distantes dos corretos.

2. Quais são os testes que fornecem estimativas mais confiáveis para a capacidade intelectual inata?


Os testes de QI são bons instrumentos para determinar QIs entre 70 e 130 e são satisfatórios na determinação de QIs entre 60 e 140. Portanto, aplicam-se muito bem a mais de 97% da população e servem satisfatoriamente a mais de 99% dos casos. Para as pessoas com QI acima de 140, o Sigma Test fornece resultados mais confiáveis e o mesmo se pode dizer sobre outros home tests. Para compreender melhor os motivos, é recomendável ler nosso FAQ e nossos Artigos.

3. Uma pessoa pode obter resultados muito diferentes em dois testes de QI ou em dois testes de inteligência? Em caso afirmativo, qual dos resultados deve ser considerado?


Sim, pode e frequentemente acontece. Depende das prioridades de cada teste e das aptidões de cada pessoa. Em geral, qualquer par de testes apresenta pequenas diferenças quando são aplicados a pessoas com QI próximo à média (entre 90 e 110) e grandes diferenças quando são aplicados a pessoas com QI muito alto ou muito baixo. Não é raro encontrar pessoas que atingiram resultados que oscilam entre 140 e 180, devido às variações entre as prioridades dos testes, devido à variação entre os tetos dos testes etc. Além disso, o estado emocional, o estresse, o sono, o cansaço e diversos outros fatores, podem influir na capacidade de concentração e isso fatalmente vai repercutir nos testes.

No site de Darryl Miyaguchi se pode encontrar os resultados de pessoas avaliadas por diferentes testes, e as diferenças entre os escores podem ser tão grandes quanto 73 a 147 (a mesma pessoa teve 73 num teste e 147 em outro) ou 94 e 156. Há também o caso famoso de Richard Feynman, que teve escore 123 num teste de QI nos anos 1930, ganhou o Nobel de Física em 1965 e foi considerado a pessoa mais inteligente do mundo pela revista Omni em 1979. Seu QI deve estar entre 195 e 200.

http://miyaguchi.4sigma.org/hoeflin/megadata/gradynorm.html

http://miyaguchi.4sigma.org/hoeflin/megadata/megacorr2.html

Para compreender melhor os motivos, é recomendável ler nosso FAQ e nossos Artigos.

4. Se as diferenças são tão grandes, então os testes de QI não servem para nada?

Se você tiver interesse em compreender melhor esse fenômeno, é recomendável que estude Teoria da Medida. Todas as medições em Física, Engenharia, Química, Astronomia, pesquisas demográficas, pesquisas eleitorais, pesquisas publicitárias etc. podem apresentar grandes variações em casos anômalos. Nas pesquisas eleitorais de 2018, por exemplo, o professor Sérgio Wechsler, um dos mais consagrados estatísticos do Brasil, utilizando algumas das melhores ferramentas estatísticas disponíveis, calculou que havia menos de 2% de probabilidade de que Bolsonaro fosse eleito, com base nas pesquisas de intenção de voto que haviam sido divulgadas até aquele momento. Na mesma época, fiz estimativas por métodos um pouco diferentes, chegando a cerca de 34%. Usando os mesmos dados, com métodos estatísticos muito semelhantes e com abordagens equivalentes, chegamos a resultados muito diferentes.

Geralmente as diferenças de resultados entre testes de QI diferentes, se forem bem normatizados, são menores que 10 pontos e muitas vezes menores que 5 pontos, mas podem ocorrer situações nas quais as diferenças ultrapassam 50 pontos entre um teste e outro. É recomendável ler meus artigos sobre Teoria da Medida, bem como meu livro “Xadrez - Os 2022 melhores jogadores de todos os tempos, dois novos sistemas de rating”, no qual faço uma análise detalhada do método utilizado para avaliação do QI, que é essencialmente o mesmo utilizado para medir a força de jogo no Xadrez, já que ambos se baseiam no modelo de Rasch ou de Lord ou de Birnbaum.

 
Se todos os fatores que provocassem variações nos resultados fossem relacionados a instabilidades individuais de quem se submete aos testes, seria natural aceitar como válido o melhor resultado (os outros resultados indicariam que a pessoa estava atuando abaixo de seu potencial). Entretanto há muitos outros fatores extrínsecos ao sujeito que precisam ser considerados, inclusive o fator sorte nos casos de testes de múltipla escolha, normas distorcidas, tetos muito baixos etc. Alguns desses pontos são analisados em artigos cujos links são apresentados no final dessa página.

5. A inteligência se estabiliza aos 16 anos em todas as pessoas? 

Não. Em média, a inteligência atinge seu limite entre 15 e 20 anos. Alguns estudos indicam que esse limite é atingido aos 14 anos, outros indicam entre 20 e 25. Depende das habilidades medidas pelo teste e do ritmo individual de desenvolvimento da pessoa. Num teste com muitas questões sobre inteligência cristalizada, a maioria das pessoas examinadas tende a continuar melhorando seus escores até os 25 anos ou pouco mais, enquanto num teste exclusivamente de inteligência fluida e que priorize a rapidez para resolver questões simples, a maioria das pessoas examinadas deixaria de evoluir nos resultados a partir dos 15 anos ou até um pouco antes. O tema é analisado com mais detalhes em alguns de meus artigos e vídeos citados ao final dessa página.

Mais informações:

Autor (prêmios, livros, artigos, vídeos, depoimentos, reportagens)

Artigos (Inteligência, Psicometria, Superdotação, Estatística, Astronomia, Física, Filosofia)

FAQ (seleção de perguntas e respostas sobre QI, inteligência, Psicometria, Cognição)